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Cotas Raciais: Sim ou não?

(Produzido em 2012) Publicado pela Semana da Consciência negra no Brasil.
Por Amanda Goulart

O Brasil é um país de miscigenados. Vamos recordar um pouco para basear essa afirmação. No ano de 1500, os portugueses desembarcaram com toda sua tropa de banidos aqui, na Terra de Santa Cruz. Ao chegar, um primeiro olhar de encanto: as belas e nuas (muito nuas) índias tupiniquins desfilavam glamourosas por entre as palmeiras e praias desertas. Fato: Atração. Um fato óbvio: Sexo e mistura de raças. Escambo e sexo, Troca.
Após algum tempo, as índias se empolgaram tanto com a história da mistura que não se rendiam mais ao trabalho escravo forçando nossos colonizadores a recorrer uma nova fonte de força: a negra.
Da África, eles vinham aos montes. Nos navios negreiros morriam de fome e cansaço da viagem que durava meses. Ao chegar aqui, já esgotados pelo sofrimento, eram submetidos a trabalhar nas lavouras de café e posteriormente nas “minas” de ouro e cana-de-açucar. Novamente a magia dos tambores e a pele das africanas seduziam quem quer que fosse, índio ou banido. Novamente uma mistura. Assim nascia o Brasil, fruto da mistura de três raças distintas (sem contar as que não estão descritas nos livros de história).
Hoje, no entanto, uma discussão é levantada a cada três tempos: o sistema de separação de cotas raciais é válido? É justo? É vigente?
O sistema de cotas foi criado no Brasil para “proteger” uma parcela da população que sofre com o preconceito e por isso supõe-se que essa parcela tenha mais dificuldades em conseguir um emprego ou até mesmo uma vaga na universidade. É discutida até mesmo a questão de uma dívida cultural que o país tem para com os negros e índios, mas principalmente com os negros. (Ainda não sabemos o porquê)
De acordo com alguns historiadores amigos meus, (por exemplo) a questão de cotas deve passar principalmente pelo crivo da história do país. Eles consideram que temos, sim, uma espécie de dívida para com os herdeiros da raça africana. “Eles foram marginalizados e temos, sim, a obrigação moral de retribuir a exploração a eles conferida.”

Jonathan Gonçalves, estudante de 14 anos, moreno, disse que não concorda muito com o sistema de cotas, mesmo não sabendo como é ao certo, porque acha que todos tem direito de concorrer igualmente a uma vaga de emprego ou na faculdade.
A questão levanta polêmicas e traz a tona um passado sujo e que na verdade o Brasil deseja esquecer. O preconceito para alguns é claro e existe. A preferência pela cor clara também parece prevalecer na maioria das empresas brasileiras, seguindo o padrão americano de ser.
Mas como não temos como provar ser negro ou branco, acabamos por achar que esta é mesmo uma questão de autodeclaração.

Na hora de preencher o questionário socioeconômico do Enem, tem-se a caneta na mão e na cabeça uma dúvida: ser negro ou branco? Eis a questão!

Comentários

Anônimo disse…
Confesso que este assunto me deixa um pouco dividido, afinal, a lei de cotas tenta ressarcir nossos irmãos de tantas injustiças sofridas no passado, onde não acontecia apenas uma exclusão, acontecia uma violência contra a raça negra. Mas por outro lado penso: será que novamente não estamos promovendo o preconceito racial.
Tema muito complexo viu Amanda, hehe

Abraços

Glauco Parreiras
Prosa de Hoje disse…
É verdade Glauco. Eu particularmente penso que temos sim uma dívida cultural com os negros, no entanto, a pergunta é: hoje, quem são os negros? Posso ser negra, se assim me declarar.
Grande abraço e obrigada pela visita no Prosa de Hoje. Volte sempre!

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